Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005

sei

que não é fácil fazer rir os miúdos, espectadores exigentes que não riem para agradar ou porque têm pena, e muito menos porque as convenções sociais ou a moda a tal obrigam. Excelentes barómetros daquilo que é um humor bom, são capazes de discernir a pincelada cómica no meio do drama e de ficar absolutamente sérios durante uma suposta comédia. Desprezam as piadolas infantis em que são tratados como retardados mentais e, no circo, são poucos os que acham genuinamente piada ao número estafado dos palhaços. Mas se foram duas pessoas mascaradas de palhaço à porrada, aí o caso muda de figura. O que me conduz ao sucesso d´O Gato Fedorento com a miudagem, facto que não cessa de me espantar. Porque não é um tipo de humor que se dissesse, à partida, fácil e acessível: quem não entende a mordacidade e a ironia que se escondem por detrás do non sense de uma mesma frase repetida à exaustão (como, por exemplo, a minha porteira) não lhes achará grande piada. Mas as crianças, sem excepção, adoram - comparam punchlines no recreio, decoram sketches inteiros, chegam a casa e, ao invés do Canal Disney e da MTV pedem, ó mãeeee, põe aquela das ciganas a correr...Nunca se cansam e acham sempre graça, de cada vez que vêem (e podem ver vinte vezes). Fazem rankings das melhores piadas, que pirateiam em gravações caseiras e oferecem aos melhores amigos. Neste momento, cá em casa, na faixa etária 11/12, o homem que não era capaz de mentir, leva-os aos delírio; na faixa 8-11, o top mais é a entrevista do ...ATUM!!! Sabem as deixas de cor, deliram com o cão que é o atum, repetem com a exacta entoação os 27 anos na faina, e a propósito de tudo e nada encaixam um ATUMMM!!. na conversa. Já na faixa dos 5/5, nada é mais entusiasmante do que o desenrolar da Cirurgia: se faz favor, também se usa, na minha terra...sabe que isto da educação não está só nas palavras, e por aí fora, até à catarse, quando RAP pede um ursinho de peluche cor-de-rosa se faz favor! Há uma semana que ando a agradecer ao meu filho o urso, em jeito de adeus e olá. Cada despedida e cada posterior reencontro exigem o respectivo teatrinho e dão direito à correspondente e franca gargalhada.
E porque quem meus filhos beija, minha boca adoça, que Deus ou entidade equivalente os abençoe, a estes ricos meninos.
publicado por Vieira do Mar às 02:16
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Sofia Vieira

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