Sexta-feira, 11 de Março de 2005

alguém me explica onde raio

vão os miúdos de hoje em dia buscar a parvoíce da história da fada dos dentes? É que, não sei se já repararam, mas de repente andam TODOS a falar na esquiva da rapariga.

Se pensarmos que a dentição completa são trinta e dois dentes (no meu caso vezes três) estão a ver a quantidade de vezes cá em casa em que o raio da fada tira dente, põe moeda, deixa prendinha, tira dente, põe moeda, deixa prendinha...é que não se aguenta.

Quando eu era miúda, não me lembro de ter tido fantasias com fadas dos dentes e muito menos me lembro do destino dado aos meus dentes de leite. Até porque acho uma coisa um bocado nojenta, se querem que vos diga. A visão do fiozinho de ouro no pescoço de certas mãezinhas, com o dentinho do rebento a penduricalhar, dá-me náuseas. Sei que algures numa caixinha numa gaveta, tenho vários dentes de leite em três compartimentos diferentes, mas não me apetece nada ir vê-los.

No que respeita aos despojos físicos que eles vão deixando para trás, fico-me pelas madeixinhas de cabelo coladas no álbum do bebé e mesmo essas, sinceramente, lembram-me as relíquias dos santos. Para ajudar à festa, numa noite destas de insónia vi um filme de terror em que a fada dos dentes era um fantasma assassino que matava as mães dos meninos (não estou a inventar!) e que tinha uma cara ectoplásmica muita, mas muita feia e assustadora.

Resumindo: um mito infantil daqueles idiotas, que só ajuda à pedinchice de mais doces e tostões. Bardamerda para quem o anda a espalhar por aí, pardon my french.



diálogo politicamente incorrecto que suscitou a (ir)reflexão anterior:



- mãe, a fada não veio durante a noite, o meu dente ainda está lá.

- pois, se calhar deixou-se dormir. Vais ver que vem durante o dia, enquanto estiveres na escola.

...

- mãe, a fada não veio durante o dia, o dente ainda está de baixo da almofada.

- pois, a fada não pôde, sabes, tinha muito que trabalhar, não teve tempo...

- mas mãe, quando é que a fada...

- porra pá, que não existe fada nenhuma! tu vais fazer nove anos, estás parvo ou quê? não te pude comprar nada, são oito da noite e eu estive o dia todo a trabalhar. Agora, desanda.

publicado por Vieira do Mar às 21:20
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Sofia Vieira

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