Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

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paz no mundo



“Dá-me isso, que é meu! não é nada, estava no chão do meu quarto, por isso é meu! és um troll, quando te apanhar a jeito vais ver! ai é ? então devolve-me a caderneta que te emprestei! não devolvo nada, se quiseres tenta tirar-ma, vais ver...mongo! e tu és uma baleia badocha e agora vou dizer à mãe quem é o teu namorado, ai vou! ai vou! atreve-te, anormal, nem sabes o que eu te faço! aiiiiii, mãeeeee, ela está-me a bater! e tu deste-me um pontapé no cotovelo, olha mãe, olha aqui a marca!..”

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Estou convencida de que, se em vez dos paralelos de calçada que são o Bush e o Sharon, pusessem uma mãe de dois, três ou mais - uma qualquer, dessas que há para aí aos milhares pelo mundo - a tentar resolver, por exemplo, o conflito no médio oriente, já a terrinha santa se encontraria toda divididinha, as fronteiras bem demarcadinhas e cada um no seu canto, a viver contentinho e em paz.

publicado por Vieira do Mar às 16:48
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Pede-me para eu pôr na aparelhagem

o CD de O Rei Leão, eu ponho e ele começa a cantar e a saltar, todo contente, em cima do sofá. É um ciclo sem fiiiiiiiim que nos guiaráaaaa, hakuna matataaaa e por aí fora. Deixo-o a dançar e vou à cozinha. Quando volto, ouço uma música
instrumental triste e vejo-o deitado no sofá, de barriga para baixo, imóvel e de olhos fechados. Volto a sair, entro passado um bocadinho e ele continua lá, sem se mexer. E eu, Então, Joãozinho, não danças mais, estás cansado? E ele, Agora tenho de estar assim porque esta é aquela música que dá quando o pai do Simba morre, sabes?

Ah, ok.
publicado por Vieira do Mar às 07:12
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

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este miúdo começa a preocupar-me

- Mãe, preferias morrer ou viver com problemas?

(inspira, expira, responde)

- Ora João, que raio de pergunta! Viver com problemas claro, porque quando a gente morre, olha, acabou-se tudo para sempre, as coisas boas e as más.

(pronto, agora mudemos de assunto e sigamos pra bingo, pode ser?)

- Pois olha, eu preferia morrer.

(glup, eu sabia, eu sabia)

- Mas porquê, Joãozinho?!

- Porque não gostava nada de viver com problemas.

(inspira, expira, nova tentativa)

- Mas, já pensaste bem nisso? Se ficares vivo, fazes tudo por tudo para resolveres o teu problema e depois já podes viver à vontade, contente e feliz.

- Não posso nada.

- Não?!

(ai ai ai)

- Não, porque atrás de um problema vem logo outro.
publicado por Vieira do Mar às 01:08
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

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dos quatro dias que passámos na disneylandia,

o mais stressante foi mesmo a história dos "autógrafos" dos personagens Disney. Eu explico: à entrada vendem-se uns livrinhos em branco para que as criancinhas possam recolher os autógrafos de uns meninos e meninas que por lá andam, vestidos de Donalds, Mickeys, Minnies e afins, a distribuir beijinhos, adeuses e rubricas apressadas. Mas só a uns quantos afortunados, ou seja, àqueles miúdos que têm a sorte de espetar com o livrinho no focinho ratolas do Mickey e de este, por acaso, engraçar com eles e estar para aí virado. A coisa está cronometrada ao segundo para criar nas crianças uma apetência selvagem pelo rabisco do personagem: os gajos chegam de repente, ficam por cinco minutos, distribuem o que têm a distribuir de acordo com critérios insondáveis e depois ala que se faz tarde, indiferentes às súplicas de pais e filhos, deixando atrás de si um rasto de criancinhas de três e quatro anos a chorarem baba e ranho, de livrinho e caneta espetados em vão no ar. Adeus, adeus, agora não dá mais, chauzinho até depois. É cruel, pá, é cruel. Andava por lá um filho da puta de um pinóquio que eu, se pudesse, arrancava-lhe o narizinho e enfiava-lho num sítio que eu cá sei... por três vezes o Joãozinho se postou à frente dele e eu atrás do miúdo, feita idiota, please, please, je vous empris, pinóquiô, pinóquiô, e o sacana dava meia volta e desandava. Ainda hoje, o miúdo me fala no pinóquio e me pergunta porquê, porquê? Mas a justiça não dorme e eu tenho fé e mais não digo, para não parecer uma cabra vingativa. Bom, mas o que acontece então quando surge, por exemplo, o Pluto, no horizonte? Uma chusma de crianças à beira da histeria, seguidas pelas respectivas mães e pelos paizinhos, estes de máquina em riste, dispostos a tudo para captarem o momento. Como os mais pequenos ou, pura e simplesmente, os mais tímidos, não conseguem chegar à frente, as mães assumem-se furisosas guarda-costas e vai de furar a turba à cotovelada e de pespegar com o livrinho na tromba do personagem, no género assina-me esta merda e faz-me o puto feliz, se não parto-te os cornos, meu cabrão. Pelo caminho levam tudo a eito, o Diogo levou com uma cotovelada nos rins de uma italiana que até ficou com falta de ar. Aquilo é um espectáculo patético e muito humilhante, é o que vos digo, além de stressar os miúdos, que cedo se apercebem de que as suas chances são de uma num milhão. A estada cedo se transforma numa caça ao personagem disney.E o pior de tudo é que eu também entrei naquele jogo sujo e corri e chamei pela Branca de Neve, snow white, snow white, here! Here!, que o puto chorava porque só tinha dois autógrafos e os irmãos, uns cavalões descarados, tinham oito e eu, anda lá meu querido, se for preciso mato ou estropio, mas o estupor do Pluto há de apôr a patinha de peluche no teu caderninho, eu seja ceguinha. E pôs mesmo.O que me consola é pensar que estava um calor de assar passarinhos nas árvores e que todos os quidos bonequinhos que me rejeitaram os filhos coziam certamente, dentro dos seus fatinhos de pelúcia. E que hoje, amanhã e depois, ainda por lá andarão ( ao serviço de uma máquina de fazer dinheiro que vende magia a rodos mas que se está verdadeiramente cagando nos sentimentos das crianças). Oh yeah!
publicado por Vieira do Mar às 05:35
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

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Rita Lee e o Jornal Nacional

(ou a intoxicação noticiosa como fonte de inspiração infantil)


Diogo: Mãe, eu, o João e o Felipe, vamos fazer um grupo e até já tem nome e tudo, somos os élaiquides (LA Kids).

Eu: E já têm alguma música?

Diogo: Sim, já temos uma! ó Joãozinho, canta lá a nossa música para a mãe, aquela que tu inventaste...

(afinar de voz e pigarreio)

Joãozinho: Qui tal nós doisse...numá banhêra di esspuma friáaa...com umá miúda bem girá...lá ná casa piáaa...que é uma fantasiáaaa... (repete várias vezes até à standing ovation do outro membro do grupo)
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publicado por Vieira do Mar às 04:27
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2005

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Tudo começou

com o ciclista Lance Armstrong que venceu a luta contra o cancro e lançou umas pulseirinhas de borracha com o mote live strong. Até agora, consta que já se venderam trinta e dois milhões. A moda entrou pelos adolescentes adentro e, como todas as modas adolescentes, impôs-se furiosamente como mais uma forma de os pais, contrariados, deitarem dinheiro fora. Hoje, miúdas e miúdos andam todos com os braços carregados de pulseiras de borracha até ao cotovelo, com palavras de ordem do género não ao racismo, salva o planeta, viva a amizade, tudo muito bonito e politicamente correcto, verdade se diga. O único problema é que há sempre lugar para mais uma pulseirinha, pois há sempre mais um mandamentozinho simpático que se pode inventar. Ao princípio, vinham como brinde em meia dúzia de pasquins duvidosos mas, depois, houve um esperto qualquer que resolveu juntar à pulseirinha uma pastilha elástica e distribuir o duo maravilha por todas as pastelarias do país: um euro, por uma pastilha e uma mini câmara de ar. E lá vai mais uma coisa daquelas para o braço e uma pastilha para a boca. Era bom que aparecesse uma a dizer, salva os teus dentes, diz não à cárie.
publicado por Vieira do Mar às 07:39
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2005

um amigo meu

não via o Diogo há que tempos e reencontrou-o numa festa.


Ele: Então, pá, como é que isso vai? está tudo bem contigo?

Diogo: Referes-te à minha vida pessoal ou à minha vida profissional?

(...)
publicado por Vieira do Mar às 02:28
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Terça-feira, 5 de Julho de 2005

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ao jantar (where else?):

- Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

- O ovo!

- A galinha!

- Não, o ovo!

Diogo, 9 anos:

- Cá pra mim, a primeira galinha foi a filha deficiente de um pterodáctilo.*


* do Gr. pterón, asa + dáktylos, dedos. m., Zool.,(no pl. ) género de répteis voadores, de que se encontram fósseis.

publicado por Vieira do Mar às 03:44
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

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A propósito do post que vem mencionado no DN,

em que o João me pergunta porque é que a Minnie e o Mickey não viviam juntos, cheguei a uma conclusão: não sei porque tanto os psicólogos se preocupam com a eventual disfuncionalidade das famílias monoparentais, homossexuais e outras coisas que tais. É que as influências maléficas que alegadamente terão, no desenvolvimento infantil, estão nitidamente sobrevalorizadas. Reparem.Tanto nós como os nossos filhos, crescemos à sombra das histórias de um gajo que tinha, obviamente, muitos problemas para resolver - problemas de pilinha, de colinho, de mamã e de papá. Sim, esse gandamaluco, o rei da disfuncionalidade familiar, Walt Disney, himself. A saber: os sobrinhos vivem com os tios e são orfãos de pai e mãe, os tios não têm filhos e nunca casam com as namoradas, por quem são dominados à distância (o Donald e a Margarida, a Minnie e o Mickey, o Pateta e a Clarabela); ao Bambi, ao Nemo, ao Dumbo, à Branca de Neve, e a mais uns outros, mata-lhes a mãe; alguns nem nunca a tiveram, como a Pequena Sereia, a Bela (do Monstro) e a Jasmin (do Aladin); a uns poucos, espeta-lhes com uma madrasta psicopata (Cinderela, Branca de Neve) e arranja-lhes uns maninhos tipo Caim (Cinderela, pai do Simba); ao pobre do Simba, impinge-lhe um tio serial killer que lhe mata o pai, que também o quer matar a ele, e que tenta sacar a mãe; ao Dinossauro e ao Tarzan, mata-lhes a família num acidente cataclítico e fá-los serem adoptados por bichos improváveis, como macacos, ursos (o Mogli) e suricates (sim, eu sei, algumas das histórias não são originais do Walt e outras foram feitas pelos que se lhe seguiram, mas o que interessa é que o espírito da coisa se mantém); há orfãos em barda (Aristogatos, Papuça e Dentuça, Dama e o Vagabundo) e há a adaptação de infanticídios e fratricídios bíblicos (O princípe do Egipto). Ufa! Cadê um simples pai e uma simples mãe, rodeados de filhinhos felizes para sempre, hein?!Famílias monoparentais? Casais homossexuais? Adopção por tios, primos, avós, vizinhos do lado, animais? Tudo bem. Venham elas. Para os putos é normal, no problemo.
publicado por Vieira do Mar às 05:08
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Sofia Vieira

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