Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

...

Não sejam lorpas


E porque os bons conselhos nunca são de mais (e ainda por cima, são de graça), aqui vai mais um, este especialmente dedicado à malta casada, juntada ou amancebada, embarcada nessa conquista viking que é ter filhos pequenos. Então reza assim, o conselho.

Excepto em caso de doença, pesadelo, tristeza reconhecida notarialmente ou trovoada ribombante, não deixem os vossos rebentos dormirem convosco na cama. Caso não saibam, desde já vos informo que não é o facto de terem filhos em comum que faz de vocês um CASAL a sério perante os deuses, os homens ou entidades intermédias. Não. Precisam também e em especial, de:
porta do quarto fechada + reboliço entre os lençóis + gemidos abafados + risos atravessados + porta do quarto aberta + pésantepés corredor fora + assaltos ao frigorífico às quatro da manhã + líquidos bebidos pelo mesmo copo + dedinhos do outro lambidos com esmero.
Para que tal seja possível, ensinem o vosso filho, desde o momento em que lhe são apresentados, a gostar do seu próprio quarto e a confiar incondicionalmente naquelas quatro paredes. Se preciso for, fiquem lá com ele atéperder o medo ou a manha, deitem-se no chão ou onde for, mas não o deixem invadir um espaço que é vosso ( tal esforço é uma espécie de PPR com benefícios fiscais: acabará por ser recompensado). Caso contrário, preparem-se para um casamento incompleto, frustrado, cortado a meio e noves fora nada.
E pisguem-se sempre que puderem, mas só os dois, não sejam lorpas. Têm avós, tias, amigos, baby sitters, disponíveis para vos aturarem os rebentos durante três dias? Óptimo. Digam-lhes bye-bye sem olharem para trás, sequem a merda da lagrimita que teima em cair, desapertem o coração e façam-se a uma pousada, a um parador, a uma pensão, a uma noite ao relento. Só os dois. De preferência, dêem aos hóspedes do quarto ao lado um bom motivo para se queixarem ao gerente, no dia seguinte. Cheguem saciados, de mãos dadas, sorriso imbecil agrafado no rosto e prontos para pegarem plos cornos mais uns meses de procissão familiar e êxtases em surdina.
E nunca! por nunca, digam orgulhosamente cá eu, não vou para lado nenhum sem os meus filhos, se eu vou, eles vêm também. Desenganem-se: não é por causa disso que são melhores pais, nem que os outros vão achar que vocês são melhores pais. Aliás, são melhores pais, quanto mais felizes forem; para serem felizes, entre outras coisas, têm que se tocar com indecência, têm que se comer como perninhas assadas de frango caseiro e que se chupar um ao outro até ao ossinho; enfim, têm que se amar, pornograficamente, amar.
Por isso, caro/a leitor/a, atentai: se a sua cara-metade insistir para que viajem sempre todos juntos para todo o lado, atreladinhos uns aos outros que nem comboio de feira, desconfie e pense bem na vida. É muito provável que tal signifique que não quer estar a sós consigo, daí BigMacensanduichar os miúdos entre vocês. Eu cá, não sei. Eu cá...
publicado por Vieira do Mar às 03:25
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2006

iôoooo!

O Joãozinho e o seu amigo André, que têm uma banda, inventaram este rap (ler com entoação iooooô e imaginar o primeiro de óculos na ponta do nariz a fazer aquele gesto tipo "cornos para baixo" que os rappers fazem):


A morte bate à porta não sabes quem é

Ficas a pensar na festa que é

Vais à discoteca fazer uma kurte

Vais a casa Vais ao computador

Descobrir a parte do teu dispor.


- Ó João, aquela primeira parte não foram vocês que inventaram, confessa lá, aquilo veio de outra música qualquer...

- Não, não, mãe, essa parte foi o André que inventou, é mesmo inventada.

- Ah! Ok.

-...E a do "computador" foi porque me lembrei de ti...

- Pois, faz sentido (shame on me). E o "dispor", porquê esta palavra?

- Ora mãe, foi só para rimar.


(Portanto: sentido rítmico, boa expressão corporal, plágio parcial descarado, um toque de experiência pessoal baseado num trauma com a mãe, alguma preocupação com a rima... enfim, os rapazes têm futuro.)
publicado por Vieira do Mar às 03:08
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 3 de Janeiro de 2006

o insustentável peso do ser

- Então, Joãozinho, como é que te sentes, agora que já tens seis anos?

- Com mais responsabilidades.
publicado por Vieira do Mar às 03:07
link do post | comentar | favorito
vieiradomar@sapo.pt
Sofia Vieira

Divulga também a tua página

. Setembro 2013

. Novembro 2011

. Setembro 2010

. Junho 2010

. Janeiro 2010

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Janeiro 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005