Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

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Socorro!, tenho uma adolescente em casa!

(... ou duas... ou dez....)



Eu sou uma daquelas mães pseudo espertalhonas que pensa que, se alguma coisa tem de lhes acontecer, ao menos que seja debaixo do meu tecto e sob as minhas asinhas tão protectoras que mais parecem as asas de um boeing. Vai daí, quase tudo lhes é permitido: todos os amigos são bem vindos e admito, com alguma assiduidade, festas, pijama parties, sessões nocturnas de filmes de terror, trabalhos de grupo (mesmo os trabalhos manuais, com tintas e colas...) e raves no Messenger e no HI5 até às tantas– desde que tudo cá em casa (e comigo na sala ao lado). À conta disto (e dos índices de popularidade da minha filha, uma verdadeira pop star no micro universo escolar), tenho sempre a casa cheia de galinhas aos gritinhos e de mânfios silenciosos em plena adolescência. São todos iguais. Eles, de cabelo a tapar-lhes a cara, estilo barcarola, de olhos postos no chão e ar falsamente tímido, a darem-me dois respeitosos beijinhos como quem não parte um prato. Elas, giríssimas, de umbigos à mostra, cabelos compridos e dentes perfeitos. Perigosíssimas. Há dias em que a minha casa se enche de "tiaaaaaaaa", "ó tiaaaaaaaa", de hahaha, hohoho e de hihihi, e é vê-las passear entre o quarto e a casa de banho, de soutiã, a trocarem tops (camisolas sem alças), a pintarem-se as unhas e a lavarem o cabelo (estão sempre a lavar o cabelo!). O de dez anos, de olhos em bico, a achar que lhe saiu a sorte grande… E o que elas riem, senhores! Pode dizer-se que não sabem fazer outra coisa e que, se estudassem como riem, seria uma maravilha. Agora, tive cá uma emprestada uma semana inteira e garanto-vos que elas não pararam de rir por um segundo que fosse. E a lembrarem-me de que os 14 anos são isto mesmo: gozar, gozar, gozar - com os velhinhos e deficientes nos autocarros, com os professores, com o resto da família, umas com as outras e, especialmente, com os rapazes. São impressionantes, os níveis de inteligência emocional e de sagacidade (para não dizer de crueldade) das raparigas desta idade. Nada lhes escapa, disparam em todas as direcções, acertam invariavelmente na mouche e não fazem nenhuma espécie de cerimónia com o resto do mundo. É claro que, se me der para aprofundar, na maior parte das vezes, a diversão é mais delas do que minha.
Um dia destes, por exemplo, entro no templo feminino que é o quarto da minha filha e vejo uma espécie de soutiã de silicone pendurado. Mas que raio é isto??? Tiaaaaaaa, diz-me a M., é o soutien que comprei na loja chinesa (o prolongamento do "A" não é afectação, é mais a verbalização de um desejo de intimidade). A tiaaa já viu, não tenho mamas nenhumas, sou uma tábua, é uma tristeza. Eu queria era ser assim, como a tiaaa ou a Bia, com uma coisa que se visse. Então, comprei este soutiã de silicone nos chineses, cinco euros, depois, por cima, ponho dois daqueles soutiãs com almofada e só depois é que ponho o top. E fica assim (e mostra-me foto no HI5, sem vergonha nenhuma, elas todas de decote, abraçadas umas às outras, as maminhas e os risos equiparados. E eu, a olhar para aquele horrível acessório de borracha, sem saber o que dizer. Finalmente, saiu-me qualquer coisa parva como, Oh M., mas tu tem cuidado, querida, que essa borracha tem ar de se desfazer e, com o calor do teu corpo, pode ficar colada à tua pele. Elas riem-se e disfarçam o que pensam de mim porque, enfim, imagino que seja porque lhes dou de comer e lhes pago as pizzas que passam a vida a encomendar... Catorze anos, e já mestras na arte da dissimulação sexual despudorada. Ai a minha vida.


Cenas do próximo capítulo (sim, sei que vos deixei curiosos): o HI5, esse espelho interplanetário de egos adolescentes, onde muitos adultos, tristemente, também fazem uma perninha.

publicado por Vieira do Mar às 15:02
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Sábado, 21 de Abril de 2007

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Joãozinho*, está muito engraçado, este teu desenho do Bitoque (o gato) a brincar com um novelo de lã:



Ó mãe… por favor! Então tu não vês que o desenho está ao contrário? Ele está é deitado de barriga para cima, que é assim que os gatos gostam de brincar:



Ah... Pois claro.


*7 anos

publicado por Vieira do Mar às 17:25
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Domingo, 8 de Abril de 2007

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WISHFULL THINKING



O Joãozinho mudou de escola a meio de este ano. Perante o nítido avanço em relação aos restantes colegas (entrou para o primeiro ciclo já a saber ler e escrever, o que fez sozinho) e a casmurrice do colégio em reconhecer-lhe a necessidade de um tratamento diferenciado; perante as dificuldades de adaptação e a desmotivação, optámos por colocá-lo numa escola onde o primeiro ano é, ele próprio, “avançado” e equivale à típica "segunda classe". Sociável e desligado como é, fez logo uma série de novos amigos e rapidamente esqueceu os antigos, excepto dois ou três, os amigos de sempre, os do coração. Passam todos longas horas ao telefone, a pôr a escrita em dia, a fazer comparações e a matar saudades. No outro dia ligou-lhe a grande amiga, I., para o meu telemóvel.


Joãozinho, é para ti! Obrigada, mãe!

Pega no telemóvel, corre para o quarto do irmão (que não estava) e fecha a porta, para garantir a privacidade da conversa. Do meu quarto (juro que não fui de propósito ouvir, juro!), pude perceber algumas coisas que ele dizia:


Olha lá a lata que eu tenho, já viste, I,. estou aqui deitado na cama do meu irmão, a falar, todo relaxado, tipo iá. Bué da fixe. Mas o que é que estavas a dizer?

Apercebo-me de que a I. lhe conta coisas que, entretanto, aconteceram no antigo colégio. E ele, às tantas:


E vocês lembram-se de mim? Falam em mim no recreio? Sim? Quantas vezes? Seis? Cem? Seis ou Cem? Não percebo nada do que dizes. Pronto, cem, ouço-te mal, mas acho que estás a dizer cem...

Moral da história: nunca é cedo demais para se fazer do wishfull thinking um modo de vida.
publicado por Vieira do Mar às 05:41
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vieiradomar@sapo.pt
Sofia Vieira

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