Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

...

Vem aí a festa de Natal do mais novo,

o que arrasta inevitavelmente uma insuportável choradeira que faz mal ao coração e me tira anos de vida. É que não aguento, não sei. Na última a que fui, de fim de ano, o miúdo puxa da flauta a meio do coro, saca meia dúzia de notas com um evidente esforço interpretativo e eu tive que parar de filmar, pois os soluços eram tantos e tão audíveis que tremiam a imagem e abafavam a música. Não sei o que me dá quando vejo as minhas criancinhas nestas pueris exibições de talento; só sei que o auto controlo desaparece e eu fico para ali desamparada, a esconder o ranho e com um riso imbecil agrafado à cara, não vão eles pensar que eu estou é triste e desapontada, sei lá. É que, vamos lá a ver, o miúdo não é propriamente um Mozart ou um Michael Jackson em formato albino. Mas, só de o ver ali no coro, juro, com a vozinha sumida entre outras trinta vozes iguais, forma-se-me um nó na garganta, os olhos picam e as lágrimas escorrem, imensas e despropositadas. Escusado será dizer que morro de vergonha e que as minhas tentativas de disfarçar a emoção são ainda mais ridículas do que a choradeira em si, pois abro imenso os olhos para evitar as lágrimas, como se estivesse aterrorizada com o som de alguma nota mais pífia, e falo muito e alto, para mostrar que a minha agitação mais não é do que alegria. Imagino que os outros pais, pessoas geralmente de reacções normais e adequadas, à vista deste patético descontrolo, quiçá de origem hereditária, não me convidarão o miúdo para as festas de aniversário, receosos de que este desabe num pranto se se acabarem os croquetes na mesa.
publicado por Vieira do Mar às 07:19
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8 comentários:
De pal a 28 de Novembro de 2007 às 13:48
e não é que eu sou igualinha?!

pronto, ainda só tive um dia da mãe e um final de ano para perceber isso... mas o descontrolo foi incrível - nunca pensei. (quer dizer, até pensei, vá)

:)
De Piuzitos a 29 de Novembro de 2007 às 00:08
Ah pois é... Isto de se ser "mulher forte e inabalável" (mote pelo qual me tento sempre pautar) cai completamente por terra quando toca à prole... :)
Fartei-me de rir!!!
De aNa a 30 de Novembro de 2007 às 10:12
queres que eu vá lá filmar, apra tu poderes babar e chorar à vontade, sem estragar o filme? ;)
beijos querida!
De Margarida a 5 de Dezembro de 2007 às 01:41
Pois pois... eu, a contar pelas cascatas que me pulam pelos olhos fora cada vez que vejo um dos meus filhotes armado em artista... percebo perfeitamente!!! Uma desgaça :-)
De Isabel a 7 de Dezembro de 2007 às 09:21
finalmente, digo eu, já estava cansada de vir aqui e estarem sempre a caminho do Algarve...

Eu sou ainda pior, porque quaisquer crianças, a fazerem habilidadezinhas, tão compenetradas, tão empenhadas, me comovem, nem precisam de ser os meus filhos, uma vergonha.
De JoãoG a 7 de Dezembro de 2007 às 22:01
Só eu sei o que me comovi quando vi pela primeira vez a minha filha mais velha a dançar ballet... para mim, tinha nascido outra Natalya Abramova! :))
De exactamente a 8 de Dezembro de 2007 às 11:47
Normalmente faço o quadro completo, caem-me as lágrimas ao mesmo tempo que filmo.
Há meses, numa festa da Primavera, meteram uma música instrumental tipo "O mundo é lindo e somos todos muito amigos uns dos outros" e os miúdos começaram o número sentados e foram levantando os braços e ondulando ao sabor da música. E eu sem a câmera de video à mão para, pelo menos, só mostrar as lágrimas de um olho.
De vieira do mar a 9 de Dezembro de 2007 às 20:53
Ah, JoãoG, o ballet é um clássico... o tutu, o carrapito, a sapatilha cor-de-rosa, o chopin ou o pachelbel: tudo contribui para que o desastre se precipite.:)

Exactamente: é EXACTAMENTE assim! Por isso sou sempre eu a filmar - escondo-me atrás da lente. Fica é sempre uma porcaria, o filme. ;)

Isabel, também confirmo, sim: qualquer criança me serve! Num coro, então, qualquer bibe ao longe é mais do que suficiente. Então se for um adeste fideles ou assim, fico à beira do coma.

aNa, querida: não era nada má ideia, pelo menos, agarravas-me na mãozinha para que não tremesse tanto. Beijinhos!

E beijinhos às outras mães solidárias!!

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Sofia Vieira

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