Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006

tão gira a neve!

Hipermercado, avio do mês (palavra gira, esta: avio), muitos congelados da Iglo, que cá em casa somos cinco e isso da alimentação natural e biológica colhida de véspera e cozinhada nas vinte e quatro horas seguintes é muito bom quando se vive sozinho e se tem narta suficiente para dar cinco aéreos por três cenouras tortas, que nem para uma sopinha dão... Bom, mas dizia eu ( já me perdi) que chego a casa cheia de sacos, os dedos roxos do peso, com tudo a descongelar (que aquela coisa de serem térmicos é uma ganda treta), os robalos selvagens (apesar de tudo, ainda não cedi à aquicultura...) a pingarem para os bifes da vazia de origem controlada, os douradinhos a derreterem-se para cima dos danoninhos, as pommes noisette a esbodegarem-se por sobre os nuggets de frango... o desespero, enfim.

Abro o congelador (o meu frigorífico é daqueles combinados, congelador mínimo em cima) e o que vejo? Três enormes bolas de neve (de gelo, portanto), cada uma, pertença de cada um dos meus filhos, com etiquetas de papel coladas ou lá o que é, nas quais, supostamente, constariam os respectivos nomes para não haver confusões (afinal, cada uma detém as suas especificidades e difere na essência e na forma, das outras duas, que isto das bolas de neve tem muito que se lhe diga).
Esta minha cabeça de mãe-dona-de-casa-trabalhadora-escrava-da-família-e-do-chefe-que-a-
azucrinam-diariamente, nem se dá ao trabalho de engendrar um qualquer plano maquiavélico como, sei lá, aproveitar sub-repticiamente as bolas para uns gins ou uns martinis, por exemplo. É para o lixo e é já, que se me começam a escorrer liquídos nojentos pela cozinha fora...

É claro que fui apanhada em flagrante delito enquanto me livrava da primeira bola, que descongelava no lava-loiça. De imediato, fui rodeada por três nativos selvagens que me manietaram psicologicamente e me impediram de alcançar os meus tenebrosos objectivos. Como resultado, o jantar foi assim uma espécie de bodas de Canaã, pois tivemos que cozinhar e comer uma data de coisas que descongelaram entretanto; já o resto da noite foi de guerra aberta, dado que cada um dos indígenas renegava a propriedade da bola entretanto derretida, pois a etiqueta (?!) desfeita com o suposto nome do proprietário não permitia identificar o mesmo.

O que significa que continuo com a capacidade do congelador reduzida a um terço, acrescida de lutas diárias pela posse da merda dos dois pedaços de gelo sujo, vindos da rua sabe-se lá de onde, que todos querem ter mas nenhum quer pegar.


(e eu, que ficara tão contentinha com a neve... totó, claro, para não variar)
publicado por Vieira do Mar às 03:12
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Sofia Vieira

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