Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

...

Para o Infinito e mais além!...*



Hoje em dia, quase todos os miúdos saem da pré com noções básicas sobre números, sabendo fazer adições simples e até subtracções. Só que a compreensão do que é o número ou a unidade arrasta consigo uma consequência chata: a incompreensão do conceito de infinito. Porque, para um puto de cinco anos, preso aos limites da sua realidade imediata, é impossível conceber algo que nunca acaba. Por mais que lhes expliquemos, o infinito não passa de um número muito, muito grande, enorme, do comprimento de uma cobra gigante ou de um novelo de lã desenrolado. Mal de mim, que ultimamente sou encurralada por infinitos aos milhares, como se fossem pequenos gremlins. No supermercado, no carro, à saída da escola, a meio do jantar, durante a lavagem dos dentes e no xixi a meio da noite. Posso mesmo dizer que sou uma ilha de ignorância, rodeada de infinitos por todos os lados. Mãe, quanto é que é um infinito? Qual é o número maior que o infinito? Quantos zeros tem o infinito? Onde é que acaba o infinito? Quanto é que é infinito mais três? Como é que se escreve o infinito? A minha resposta é invariavelmente pobre, paupérrima. É a resposta de alguém que guarda contra a matemática o enorme rancor de lhe ter barrado para sempre a vocação natural de arquitecta e de a ter atirado para os braços frios e bafientos da Lei. João, o infinito não é um número; é mais a ideia de que os números nunca acabam, de que a seguir a um vem sempre outro maior e que podes sempre acrescentar mais um e mais um e mais um, que nunca existe um último número. O infinito é a possibilidade de os números ficarem sempre cada vez maiores sem nunca terem um fim, entendes ? Olhar de esguelha. Confuso, de quase desdém. Mas como é que se escreve isso, mãe? Quantos números leva? É do tamanho deste prédio?
Ah!; não é fácil, a fase do infinito. Mesmo nada.



*grito de guerra do famoso astronauta Buzz Lightyear, do Comando Estelar (óbvio).

publicado por Vieira do Mar às 06:45
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Sofia Vieira

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